O MERCADO IMOBILIÁRIO EM PORTUGAL TAMBÉM ESTÁ EM QUARENTENA

O MERCADO IMOBILIÁRIO EM PORTUGAL TAMBÉM ESTÁ EM QUARENTENA

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O MERCADO IMOBILIÁRIO EM PORTUGAL TAMBÉM ESTÁ EM QUARENTENA

O artigo anterior, de 19/03/2020, terminei-o assim:  …. Ainda esta semana, após a obtenção de mais informações e com a serenidade necessária, voltarei com o segundo ato sobre os novos tempos que virão. Antecipo que serão muito difíceis.

Nem informações suficientes e nem clareza. E já se passaram quase 30 dias.

Mais vamos tentar alinhavar algumas ideias que andam soltas por aí. E vou aqui relembrar, que haviam sido tomadas medidas pelo governo, que de alguma forma, punha um pouco de água fria no mercado,  antes desta pandemia chegar em terras lusas.

Em tom “curto e grosso” no curto prazo não haverá negócios. No segundo semestre deste ano os preços vão começar a se alinhar. E alguma normalidade, só no verão de 2020. Sem ter ideias de preços, quem vende tem receio de vender barato neste momento. E quem comprar, de fazê-lo caro… Vamos esperar um pouco – o médio prazo – e depois, logo se vê. Mas que os preços dos imóveis e arrendamento vão cair, não há dúvidas.

Vou tentar explicar o porquê, lembrando sempre que na vida – e nesta pandemia – nada como um dia após o outro. Imaginem um navio, recém-saído de um grave acidente, com a tripulação se recuperando do trauma e, de repente, a neblina chega. Há uma forte batida numa enorme rocha (ou iceberg), avizinha-se uma grande tempestade. Tudo vira uma enorme confusão. O navio, por outro lado, em função do acidente anterior, tem pouco combustível e alimento para a sua tripulação… e começa um “surto de gripe”. Estamos assim. Assim está o mundo, e Portugal em particular.

Começo a refletir, listando os fatores que levaram à retoma do crescimento de imobiliário em Portugal nos últimos anos:

  1. Incentivo fiscal aos que optaram pelo regime fiscal de residentes não-habituais. O país começou a encher-se de estrangeiros buscando esta vantagem;
  2. O espantoso e consistente crescimento do setor do turismo, e a explosão dos alojamentos locais (AL), incentivados pelo AIRBNB;
  3. A retoma da economia portuguesa que vinha de uma grande crise que fez os preços dos imóveis caírem bastante. De uma base baixa, é mais fácil crescer;
  4. Um forte interesse internacional, de alguns países europeus – destacando-se França – e da avidez de compra pelos brasileiros, chineses etc…
  5. Um interesse internacional por Portugal, aliado a um mood favorável a Lisboa, e depois ao Porto, como destino turístico, e com diversos prêmios internacionais;
  6. Juros baixos para financiamento para financiar obras e aquisição da casa própria;
  7. Uma forte emigração de brasileiros.

Quando olhamos para estes fatores no momento, percebemos que apenas um estará presente nos próximos tempos pós-COVID-19: os juros baixos.

O incentivo fiscal reduziu-se. Os Vistos Gold saíram de Lisboa e Porto. Há uma enorme conversão de Alojamentos Locais para aluguel de longa duração, por conta do aumento do IRC (imposto de renda das empresas). A crise económica que virá, com o consequente aumento de desempregados, e os preços anteriores à crise, já próximos do seu topo. Os brasileiros, muitos deles vão voltar.

Vamos juntar a este caldo, a natural quebra de interesse – por receios, medos e questões financeiras – da roda do turismo começar a girar. E as dificuldades para fazer voltar a cadeia vertical do setor. Dos voos, das operadoras de turismo, dos eventos de lazer, cultura e profissionais. Toda esta cadeia produtiva parou, e teremos dentro dela alguns pequenos e grandes percalços.

O crescimento do turismo foi fundamental para ativação do setor imobiliário e, por algum tempo vai dar um enorme travão.

Talvez agora fique mais claro o que irá acontecer.

Por isso, temos que deixar dissipar a neblina, passar a tempestade, consertar o casco do navio e voltar a navegar. E nesta próxima viagem, contar que os passageiros estarão cheios de medos dos próximos tempos. Há risco desta tempestade voltar.

O que ainda não consigo ver, é se os montantes de recursos a serem liberados pela UE e captados por Portugal, em particular, serão suficientes para fazer a economia voltar a rodar.

Precisamos aguardar o tamanho do desemprego na economia mundial. A situação da nossa vizinha Espanha e da nossa histórica parceira de negócios, a Inglaterra. Dependemos dos países estrangeiros para voltar a dinamizar estes dois setores interligados da nossa economia.

As próximas cenas deste filme da pandemia ainda são desconhecidas. Mas que não virem uma série da Netflix.

RL

Setúbal, 13abr20

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